São Pαulo Apóstolo fαlα dα Bíbliα como α nossα poderosα pedαgogiα:
“Orα tudo o que se escreveu no pαssado é pαrα nosso ensinαmento que foi escrito, α fim de que, pelα perseverançα e pelα consolαção que nos
proporcionαm αs Escriturαs, tenhαmos α esperançα”
(Rm 15,4).
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

TP 6 Leitura e Processos de escrita

Tese e argumentos, esse é o assunto da Unidade 21.
No encontro com o formador, ele nos nos deu uma determinada situação do cotidiano escolar: Um aluno e seu professor vão até a diretoria porque o professor não quer aceitar que o mesmo aluno entregue seu trabalho pois a data de entrega já ha
via passado.
Rubem sorteou entre os gestaleiros presentes quem faria o papel do aluno e do professor, o restante estaria no lugar do diretor.
Usando de vários argumentos (por raciocínio lógico, de autoridade, por exemplo, baseados em provas concretas e no senso comum), o "professor"
e o "aluno" tentavam nos convencer de que era o correto.
Mais tarde fiz o mesmo com minha turma do 6° ano, lemos a crônicia "Esmeraldo, o garçom" de Laé de Souza.

"Esmeraldo servia um bife acebolado, enquanto outro cliente fazia insistentes sinais chamando-o. Ele, fingindo não perceber para não interferir no seu trabalho, atendeu com presteza e só então deslocou a sua visão à outra mesa. (Aí que descobri que quando chamamos um garção e parece que ele não vê, às vezes está vendo e finge que não vê). Acostumado com os tipos e pela cara sentiu que era reclamação, e era mesmo. O sujeito, irritado, sentia-se indignado com a refeição. O macarrão estava grudado e o molho salgado.

Esmeraldo, educadamente, perguntou:

- Como é o seu nome, senhor?

O cliente mais irritado ainda respondeu:

- Jonas.

- Pois é senhor Jonas, vou lhe explicar como funcionam as coisas -, disse-lhe Esmeraldo. – A minha função aqui, é a logística. Ou seja, coleto os pedidos do cliente, passo para a copa, que manda para a cozinha. Daí para a frente não interfiro em nada, até que eu ouça dois toques da sineta, o sinal de que o meu pedido está à disposição. Então apanho a mercadoria, vejo se está bem separada, cada qual em sua bandeja e faço a distribuição para os clientes. Quanto a verificar se os produtos estão perfeitos, se a qualidade é boa, foge ao meu alcance e se o fizesse, estaria me intrometendo no trabalho de outro setor, com o que o senhor há de concordar, seria antiético.

Agora, é responsabilidade minha e o senhor pode me chamar a atenção que eu vou abaixar a cabeça, se ocorreu alguma coisa que me diz respeito como: Seu pedido veio trocado? Sua cerveja chegou quente? O refrigerante diet da sua esposa e as cocas normais dos seus filhos não vieram certinhos, como pedidos? Sua comida veio misturada, decorrente do transporte da copa até a sua mesa? Deixei cair um copo ou derramei molho na mesa ou em algum dos senhores?

O senhor pode não ter percebido, senhor Jonas, mas a sineta tocou e eu já corri para trazer sua refeição. Se houve demora, foi lá para dentro, mas não no serviço de distribuição. Agora, se o senhor quer fazer reclamação do serviço da produção, posso chamar o cozinheiro ou então o senhor Manoel, que é o dono, portanto, é quem tem que ouvir essas reclamações, não eu. Aliás, aqui pra nós, acho que o senhor tem que reclamar com ele sim, porque esse cozinheiro é muito folgado e anda fazendo as coisas de qualquer jeito. É a segunda reclamação injusta que recebo hoje. Que culpa tenho eu, senhor Jonas, que estou aqui do lado de fora, nem sabendo do que está acontecendo lá por dentro e alguns clientes sem atentar para isto, me chacoalham? O senhor, sinceramente, não acha que é injusto seu Jonas? Vou chamar o seu Manoel, o senhor reclama do macarrão, do molho e, não diga que falei nada, mas pode reclamar que a carne está dura, porque sei que está, pois, uns dois clientes já reclamaram. Lá está o seu Manoel. Seu Manoel! Seu Manoel , faz o favor!

Enquanto o Sr. Manoel se aproximava, Esmeraldo cochichou para o cliente:

- O senhor pode reclamar do que quiser seu Jonas, mas não da comida fria, porque se esfriou, foi por culpa sua que iniciou a conversa, deixando-a esfriar.

Jonas, mulher e filhos boquiabertos olhavam para o Esmeraldo e o Sr. Manoel, que todo solícito dizia um “pois não”, bem macio."

Dada a situação entre o cliente e o garçom, deixei a critério dos alunos quem defenderia o cliente e quem faria o papel de garçom. Ficamos a aula toda trabalhando a oralidade e a argumentação dos alunos.
Muito proveitoso e divertido.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

TP 3 Gêneros e Tipos Textuais

A seção 2 da Unidade 12 me orientou bastante em como trabalhar com os alunos a questão de escolha de uma sequência tipológica em diversas situações.
Confesso que não cheguei a aplicar alguma atividade dessa seção em sala de aula diretamente, mas com a orientação que o TP me proporcionou, pude repassar aos alunos em algumas atividades e situações (escritas ou orais) do dia-a-dia: quando se dirigiam a mim, ao diretor e até mesmo aos próprios colegas.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

TP 1 Linguagem e Cultura

Nesse primeiro Caderno de Teoria e Prática, trabalhamos as variantes linguísticas.
Já na primeira secção, tivemos contato com a crônica "Retrato de Velho" de Carlos Drummond de Andrade, meu companheiro de viagem, pois sempre que eu viajava, carregava na bolsa um livro do crônista. Enfim, o texto traz um personagem velhom de liguagem antiga, rabugento e desconfiado.
Resolvi levar o texto e as discussões feitas com os colegas gestaleiro até a sala de aula. Me interessou o Avançando na Prática da página 17.

Retrato de velho


Tem horror a criança. Solenemente,faz queixa do bisneto, que lhe sumiu com a palha de cigarro, para vingar-se de seus ralhos intempestivos. Menino é bicho ruim, comenta. Ao chegar a avô, era terno e até meloso, mas a idade o torna coriáceo.


No trocar de roupa, atira no chão as peças usadas. Alguém as recolhe à cesta, paralavar. Ele suspeita que pretendem subtraí-las, vai à cesta, vasculha,retira o que é seu, lava-o, passa- o. Mal, naturalmente.


– Da próxima vez que ele vier, diz a nora, terei de fechar o registro, para evitar que ele desperdice água.


Espanta-se com os direitos concedidos às empregadas. Onde já se viu? Isso aqui é oparaíso das criadas. A patroa acorda cedo para despertar a cozinheira. Ele se levantamais cedo ainda, e vai acordar a dona de casa:


– Acorda, sua mandriona, o dia já clareou!


As empregadas reagem contra a tirania, despedem-se. E sem empregadas, sua presençaainda é mais terrível.


As netas adolescentes recebem amigos. Um deles, o pintor, foi acometido de malsúbito e teve de deitar-se na cama de uma das garotas. Indignação: Que pouca-vergonhaé essa? Esse bandalho aí conspurcando o leito de uma virgem? Ou quem sabe se nem émais virgem?


– Vovô, o senhor é um monstro!


E é um custo impedir que ele escaramuce o doente para fora de casa.


- A senhora deixa suas filhas irem ao baile sozinhas com rapazes? Diga, a senhora deixa?


– Não vão sozinhas, vão com os rapazes.


– Pior ainda! Muito pior! A obrigação dos pais é acompanhar as filhas a tudoquanto é festa.


– Papai, a gente nem pode entrar lá com as meninas. É coisa de brotos.


– É, não é? Pois me dá depressa o chapéu para eu ir lá dizer poucas e boas!


Não se sabe o que fazer dele. Que fim se pode dar a velhos implicantes? O jeito éguardá-lo por três meses e deixá-lo ir para outra casa, brigado. Mais três meses, e nova mudança, nas mesmas condições. O velho é duro:


– Vocês me deixam esbodegado, vocês são insuportáveis! – queixa-se ao sair.Mas volta.


– Descobri que paciência é uma forma de amor – diz-me uma dasfilhas, sorrindo.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Retrato de velho. In A bolsa & a vida. Rio de Janeiro, 1962. p. 207-209.

Com cópias da crônica de Drummond em mãos, os alunos fizeram uma leitura silenciosa primeiramente. Logo após, reli com eles o texto em voz alta e imaginamos as características dos personagens: o velho, as netas adolescentes, as empregadas... Mais interessante foi ver os alunos já encenando as expressões do velho, os gestos, sem falar que eles adoram teatro.
A partir daí, dividi os alunos em três grupos e pedi que ensaiassem a leitura utilizando do que discutimos antes sobre as caracterísiticas dos personagens.
Procurei fazer essa atividade em duas aulas, com mais tempo então, os alunos trabalharam a oralidade, expressão e leitura.
Após ensaiados, cada grupo fez a leitura utilizando-se de várias formas para identificar os personagens!
Foi uma aula super proveitosa e prazerosa!